sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Estudante com síndrome de Down é a 1ª do Brasil a se matricular em um curso de direito
Estudante com síndrome de Down é a 1ª do Brasil a se matricular em um curso de direito
[Jovem mineira portadora de síndrome, que trabalha como caixa de supermercado, é a a 21ª pessoa no Brasil e a primeira em Minas Gerais a se matricular em uma faculdade]
[Tiago de Holanda
Publicação: 01/12/2012]
Em casa, Aline divide o tempo entre os afagos da mãe, Regina Figueiredo Terrinha, e livros relacionados aos estudos ou obras de escritores famosos
“As pessoas me olham de um jeito estranho, como se eu fosse diferente”, percebe Aline. A professora se admirou quando, ainda criança, ela foi a primeira a aprender a ler em uma turma de escola regular. Muita gente se espanta ao descobrir que a moça acorda antes de o sol nascer e, sozinha, pega dois ônibus para chegar ao trabalho. Quem a conhece, porém, não se surpreende ao saber que ela quer estudar para ser advogada. Aos 25 anos, Aline Hélio Figueiredo Terrinha é a primeira pessoa com síndrome de Down a se matricular em um curso de direito no Brasil.
Até hoje, apenas 20 pessoas com a síndrome, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ingressaram no ensino superior no país, segundo levantamento da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (Febasd). Os cursos mais procurados foram educação física (quatro estudantes) e pedagogia (três). O Rio Grande do Sul é o estado campeão em número de universitários (quatro), seguido por São Paulo (três). Aline será a 21ª da lista, a primeira mineira. “Direito é um curso mais exigente, o estudante tem que ler muito. Ficamos felizes com a iniciativa da Aline”, diz a presidente da Febasd, Maria de Lourdes Marques Lima.
Em seu primeiro vestibular, Aline foi aprovada para ingressar em uma faculdade particular em Belo Horizonte. As aulas começam em 1º de fevereiro de 2013. No entanto, a moça não conseguiria pagar a mensalidade de R$ 650. “É quase meu salário”, explica. Ela tentará obter uma bolsa pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), programa federal mantido pelo Ministério da Educação. Se tudo der certo, frequentará as aulas à noite, depois de sair do supermercado no qual é atendente de caixa. Ela precisaria abandonar o curso de auxiliar administrativo, iniciado em maio, pois passaria a ter poucas horas de sono, já que precisa acordar às 5h para chegar ao trabalho.
A moça mora com os pais e uma irmã em uma casa simples no Bairro Bela Vitória, Região Nordeste. Por volta das 5h40, pega o primeiro ônibus e desce no Centro, onde toma outro até o supermercado, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul. O expediente não tem horário exato para terminar, geralmente entre as 18h e as 19h. Por causa da rotina corrida, a mãe, Regina Figueiredo Terrinha, não queria que a filha estudasse à noite. “Pra ser sincera, sou contra. Fico com muito dó de ela trabalhar o dia todo e depois ainda ter aula. Vai ser uma maratona muito puxada. Mas ela é bem cabeça dura: quando quer, quer mesmo”, resigna-se a mulher, que tem 56 anos e é auxiliar de enfermagem. Aline está decidida: “Sei que é um curso difícil, mas se tiver força de vontade, perseverança, a gente consegue, na força de Deus”.
Caçula de quatro irmãos, Aline poderá ser primeira da família a ter diploma de nível superior. Ela nasceu em Montes Claros, no Norte de Minas, a 424 quilômetros da capital. Com 4,6 quilos e 56 centímetros, era maior do que costumam ser bebês com síndrome de Down. O diagnóstico da doença foi difícil. “Um pediatra chegou a dizer que ela não tinha Down”, lembra a mãe. Os cabelos, geralmente finos e lisos, são crespos em Aline. Com o tempo, porém, algumas das características típicas se tornaram evidentes, como os olhos com pálpebras oblíquas para cima e a face mais plana. Manifestou também outro traço habitual: um problema na visão. “O olho direito quase não enxergava. Ela fez uma cirurgia, mas, por causa de um erro médico, precisou retirar (o globo ocular)”, conta Regina. No lugar, implantou-se uma prótese de silicone.
Convivência com o preconceito
Todavia, não se notou em Aline um dos sintomas mais corriqueiros: o déficit de desenvolvimento intelectual. “Nunca a diferenciei dos outros filhos. Cuidei dela sem frescura. Nunca tive tempo de ficar paparicando ninguém; trabalhava demais”, conta a mãe. Matriculada em uma escola regular, ela foi a primeira da sala a aprender a ler. “A professora se surpreendeu. Até eu me surpreendi. Não era tão estudiosa, mas nunca levou bomba, sempre teve boas notas”, ressalta Regina. No histórico escolar, as melhores notas era alcançadas em história, português, filosofia e sociologia. Apesar do bom desempenho, sofria preconceito dos colegas. “Eles me tratavam mal, me humilhavam, falavam que eu tinha problema, que era feia, que era demônio. Ser rejeitado é ruim demais”, diz Aline.
Ela concluiu o ensino médio em 2005, chegou a fazer cursinho pré-vestibular, pensava em tentar entrar na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Mas não me preparei muito bem. Não estava muito interessada. Quis descansar um pouco a cabeça depois de tantos anos de escola”, explica. Em 2008, ela decidiu procurar um emprego. “Queria minha independência financeira, conhecer pessoas diferentes.” Indicada pelo Serviço de Proteção Social à Pessoa com Deficiência, mantido pela Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de BH, Aline conseguiu uma vaga em um supermercado. Começou na salsicharia, embalando embutidos. Depois, tornou-se empacotado e, afinal, foi para o caixa.
No trabalho, apesar de a funcionária ser eficiente, o preconceito persiste. “Uma vez, uma cliente disse que eu era lerda, tinha problema, não podia trabalhar ali. Foi até reclamar com o gerente”, recorda. Sem querer se identificar, uma colega confirma a discriminação. Alguns clientes do supermercado, quando podem escolher, evitam usar o caixa da moça. “Mal sabem eles que a Aline, mesmo sendo especial, é a única entre as caixas com conhecimento e preparo suficiente para fazer uma faculdade”, diz a colega. Aline chegou a pensar em cursar medicina veterinária, mas acabou se decidindo pelo direito. “Quero advogar. Quando estiver bem fera na área, quero entrar na Promotoria de Justiça”, ambiciona.
LIVROS
Aline tem qualidades caras a um bom advogado. Expressa-se com segurança, tem cuidado ao escolher as palavras. No começo da conversa, ela parecia tímida, mas logo desandou a falar. “Essa fala mesmo, igual pobre na chuva”, brinca a mãe, rindo. Nas horas vagas, a filha gosta de ler, sobretudo livros de história. Atualmente, está lendo Cartas para Hitler, de Henrik Eberle, que reproduz a correspondência enviada ao ditador e narra, a partir dela, a ascensão e a queda do nazismo. Foi um dos cinco livros que ela ganhou de presente de um cliente do supermercado. Aline é fã dos enredos misteriosos de Agatha Christie e adora o romance Capitães da areia, de Jorge Amado. “A história me chamou a atenção. As crianças que viviam na rua eram humilhadas, tratadas pior do que bicho”, narra.
Outra paixão são as artes plásticas. Ela frequenta o Palácio das Artes, no Centro, cujos funcionários já a reconhecem. Nas últimas férias, em outra galeria, visitou a exposição Caravaggio e seus seguidores e se deliciou com as obras do pintor italiano. Também gosta muito de ouvir música sertaneja e de torcer pelo Atlético. Satisfeita, sorri ao descobrir que seria a primeira pessoa com síndrome de Down a cursar direito, mas enfatiza não querer provar nada: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém”. A iniciativa de Aline deve “abrir caminhos”, avalia Maria de Lourdes, presidente da Febasd: “Ela serve de exemplo para toda a sociedade, que deve respeitar mais quem tem a síndrome. Queremos parabenizar Aline. Que ela desempenhe bem suas atividades e brilhe muito, para orgulho de todos nós”.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Suporte Pedagógico
SUPORTE PEGAGÓGICO
Texto de Augusto Junior de Oliveira
Cursante do Curso Licenciatura em Pedagogia pela UNOPAR
É o cuidador que constrói a mente da
criança e conseqüentemente sua autoimagem, autoconceito e eutoestima e sua
saúde emotiva. O educador precisa ter consciência disso e precisa que se formem
profissionais competentes e capazes de lidar com os diferentes perfis dos
educandos. Em uma sala de aula, por exemplo, ele poderá ter diversos
tipos de alunos, talvez algum hiperativo, um depressivo ou mesmo um autista.
Terá alunos que demonstram mais interesse em aprender e outros que precisam de
maior incentivo. O educador terá de saber como lidar com essas diferenças sem
prejudicar nenhum dos perfis de aluno pela sua metodologia.
Assim
fica claro que é necessária uma capacitação de pessoal. Porem isto abre espaço
pra outra questão importante: a infra-estrutura como chave para inclusão
escolar. Fala-se que a inclusão é real quando se coloca uma criança com certa
deficiência intelectual, ou transtorno numa sala de aula com crianças “comuns”.
Mas se essa escola não possui infra-estrutura e material pedagógico adequado
essa inclusão será apenas lúdica. De fato é muito bonito falar que houve
inclusão, mas é preciso que essa inclusão seja real. O docente precisará de
material didático adequado para incentivar o desenvolvimento do discente. O
exemplo é preciso haver brinquedos para incentivarmos o desenvolvimento motor
das crianças. Porem mesmo para os alunos tidos como normais, ainda não há um
infra-estrutura e uma disposição de material necessária, pode-se dizer que os
professores “se viram” com o que tem e “improvisam” da mesma forma. O docente
pode chegar à sala de aula com discentes que apresentam déficits de
aprendizagem, identificá-los, mas não ter o material didático necessário para
trabalhar com esse aluno. As escolas pecam muito nesse sentido.
É
muito comum os docentes, pouco preparados para exercer tal pratica,
simplesmente ignorarem um aluno especial. É muito comum se ouvir em sala de
aula o professor dizer que pra ele o que importa é o salário, assim ele passa
de ano alunos que nada aprenderam e raramente vai perceber que determinado
aluno necessita de maior atenção por parte dele. Vê-se então o despreparo dos
nossos professores para lidar estes assuntos.
Temas como bullying, que há muito existiam, mas só agora estão recebendo a
devida atenção precisam estar dentre os assuntos que o professor domine. Em
vista de que muitos educadores sequer conhecem o significado deste termo, ou
mesmo acreditam que o bullying é apenas uma brincadeira de crianças, que não
engloba fundos psicológicos dignos de analise. Estes educadores podem
acabar incentivando a continuidade da pratica do bullying. Poderia estes
professores receber a alcunha de incompetente, por deixar seus alunos expostos
ao descaso?
É preciso que o professor seja capaz de
compreender seus alunos, que se comunique com ele. Como nos casos de lidar com
um deficiente oral, físico ou intelectual onde é preciso uma comunicação
diferenciada; o professor pode procurar aprender a linguagem de libras e fazer
uso disso para que achasse uma interação entre o deficiente e os outros alunos,
em vista que a comunicação diferenciada, apresentada como um código é atraente
pras crianças.
O pesquisar é uma constante na vida do
professor que exerce corretamente sua profissão. Sempre estão surgindo novas
temáticas dentro da área acadêmica, deste modo o professor precisa sempre
evoluir seus conhecimentos para não ficar alienado as novidades metodológicas,
inclusiva no que se diz respeito às leis e diretrizes da educação.
Existem vários pontos a serem analisados
pelo professor e que muitas vezes são deixados de lado. As crianças agitadas,
por exemplo, podem sinalizar a existência de um transtorno de déficit de
atenção e hiperatividade, uma vez que o universo da ordem e da organização
parece avulso para quem tem esse problema patologia. Como o professor vai
trabalhar com um aluno assim? Seria quase, ou mesmo impossível para um
professor que não possui uma qualificação, que não buscou recursos ou materiais
de pesquisa, lidar com um aluno hiperativo.
Em termos de inclusão vemos que o
atendimento as crianças com cuidados especiais é precário em escolas da rede
publica em nosso país. É uma triste realidade. Nota-se que o treinamento,
quando há, dos educadores em atendimento especial nem sempre é satisfatória, o
que causa uma má comunicação com o aluno. Então o que fazer? As palavras de
ordem são: qualificar e capacitar. Os professores precisam ter o conhecimento
de como lidar com seus alunos e precisam fazê-lo com qualidade. Eis o desafio,
fazer com que o professor trabalhe bem. Por diversos fatores, é comum ver o
professor ser negligente com seus alunos, e tomá-los com um descaso que beira a
crueldade. É direito de a criança ser educada e o educador não esta fazendo
valer este direito, e por vezes esta impedindo que o mesmo seja valido. Vamos
esta negligencia quando um professor da às atividades pra turma e da apenas um
desenho para que o aluno colora enquanto os outros elaboram as atividades,
excluindo o aluno especial do seu direito a ser educado. Será negligencia também
apenas entregar a mesmo trabalho para os diferentes alunos sem trabalhar com
forma diferenciada para tornar possível que o deficiente também absorva o
conhecimento para elaborar respostas.
É importante que o professor tenha
recursos para auxiliá-lo no contato com o aluno com alguma deficiência, por
exemplo, a surdez, o professor precisa buscar uma capacitação em libras, mesmo
que seja básica, caso seja essa a forma de comunicação do aluno. Porem o
professor não pode esperar que o aluno venha até ele para depois procurar uma
capacitação. Trabalhar com material concreto e visual serve para apoio para
assimilação de novos conceitos para as crianças, deficientes ou não. É
necessário sair da rotina massacrante do “quadro negro” e “decoreba”. Para tornar
as aulas mais interativas e dinâmicas. Como, por exemplo, fazendo uso de “círculos”
e debates. Atividades práticas, atividades plásticas e quando possíveis
visitações trariam maior atratividade e interação com o aprendizado. Nem sempre
a escola se mostra atraente, seja pelo visual ou por uma metodologia
repressora, que pode ser constrangedora para o aluno. É comum a exclusão e o
descaso sem ala de aula o que acaba por produzir alienação no aluno.
O para casa precisa ser utilizado para o
desenvolvimento da autonomia do aluno no sentido de fixar um conhecimento ao
mesmo tempo em que o coloca diante de uma problemática na qual ele terá de
fazer uso do conhecimento que possui e assim elaborar soluções para a
problemática. Nesse sentido é preciso que o conteúdo do dever de casa abranja o
conteúdo trabalhado em classe. É comum o professor usar o dever de casa
como extensão do trabalho de sala de aula, pedindo ao aluno que veja algo que
não lhe foi apresentado na sala de aula para que ele sozinho analise as informações
do livro e aprenda esta “matéria nova”. O que é um erro, o aluno acaba fazendo
o papel de autodidata. Nem todos os alunos terão facilidade ou interesse de
aprender sozinhos. Depois de cometer este erro de dar um dever de casa que não
engloba algum assunto trabalhado em classe o professor comete o outro erro de
simplesmente dar seguimento a outras matérias sem trabalhar com esta,
considerando que o aluno já viu a matéria. Segue atropelando conteúdos, para ao
fim passar tudo que estava planejado, porem pouco será aprendido do muito que
foi passado, por que pouco foi trabalhado.
A
avaliação do dever não deve se basear na resposta certa ou errada, mas também
no desenvolvimento da autonomia, no que o aluno foi capaz de fazer, para que se
veja o que ele aprendeu e em que ele teve dificuldades. Deste modo os deveres
de casa alem de desenvolver a autonomia do aluno servirá de apoio para que o
professor analise sua própria metodologia de ensino para conseguir atingir o
aluno. O professor precisa apresentar claramente as temáticas do dever de casa,
tanto quanto as temáticas do dever em classe, para que os alunos absorvam o
Maximo de conhecimento para poderem elaborar as respostas para as problemáticas
apresentadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
IMAGEM: Google, meramente ilustrativa.
REVISTAS:
PSIQUE, ciência & vida_
Editora ESCALA. Ano V nº 53
NOVA ESCOLA, Gestão Escolar_
Editora ABRIL. Ano II nº 8 junho/julho 2010
CIRANDA DA INCLUSÃO, a
revista do educador _ Editora Ciranda Cultural. Ano I nº 5
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